Vereador Alexandre Azevedo tenta barrar avanço histórico da participação feminina na Câmara de Macapá

Vereador Alexandre Azevedo tenta barrar avanço histórico da participação feminina na Câmara de Macapá

Por Redação 

 

Um episódio polêmico e de forte repercussão política marcou a Câmara Municipal de Macapá nesta sexta-feira, 3. O vereador Alexandre Azevedo (Podemos) ingressou com Mandado de Segurança no Tribunal de Justiça do Amapá (TJAP) para suspender a eleição da Mesa Diretora realizada hoje, no plenário da Casa Legislativa.

 

A eleição havia consagrado uma das maiores representações femininas da história recente do Parlamento municipal, com 16 votos favoráveis e ampla participação de vereadoras em postos estratégicos da Mesa Diretora, incluindo a 1ª e 2ª vice-presidência e a 2ª secretaria. Seria um marco para o biênio 2027-2028, quebrando a hegemonia masculina que dominou por décadas os cargos de direção.

 

No entanto, por decisão liminar do desembargador Adão Carvalho, o pleito foi suspenso, atendendo ao pedido de Alexandre Azevedo.

 

A medida foi imediatamente criticada por movimentos sociais, lideranças políticas e organizações de defesa dos direitos das mulheres. Para elas, a iniciativa do vereador vai além de uma disputa jurídica: é um ato de exclusão política contra as mulheres, que historicamente enfrentaram barreiras para ocupar espaços de poder.

 

“Não se trata apenas de uma questão de regimento, mas de representação. A ação contra a Mesa Diretora é também um ataque simbólico à luta das mulheres por mais espaço no poder”, afirmou uma militante do movimento de mulheres em Macapá.

 

Caso mantida, a suspensão representa um retrocesso direto na luta feminina por igualdade na política, justamente em um momento em que a Câmara de Macapá registrava um avanço inédito.

 

_A contradição de Alexandre Azevedo_

A postura do vereador Alexandre Azevedo também expõe uma contradição em sua trajetória. Apesar de ter sido autor de projetos que valorizam a participação feminina, como o “Selo Mais Mulheres na Cultura”, ele agora recorre ao Judiciário para anular uma eleição que ampliaria o protagonismo das mulheres dentro do Legislativo municipal.

 

Outro ponto que gera críticas é o fato de Azevedo ter votado a favor da alteração da Lei Orgânica e do Regimento Interno, que permitiu a antecipação da eleição e possibilitou a presença expressiva das vereadoras na Mesa Diretora. Ou seja, o próprio vereador aprovou a regra que agora tenta derrubar.

 

Organizações feministas e entidades jurídicas discutem acionar o Ministério Público e a Procuradoria da Mulher da Câmara, alegando que a medida tem caráter discriminatório e antidemocrático, podendo configurar violação ao princípio constitucional da isonomia (art. 5º da CF) e ao incentivo legal para maior participação feminina na política (art. 10, §3º da Constituição e Lei das Eleições).

 

O episódio escancara as barreiras ainda impostas às mulheres no exercício do poder político e lança dúvidas sobre os rumos da democracia representativa em Macapá.

 

Com a suspensão, permanece a incerteza: a eleição será refeita ou a decisão será revertida pelo TJAP? Até lá, o que está em jogo é mais do que a composição da Mesa Diretora — é a garantia de que a conquista histórica das mulheres no Legislativo municipal não seja apagada por uma decisão judicial provocada por um vereador que, na prática, trabalhou para excluí-las do comando da Casa.