Vereador ligado ao Furlan, Bruno Igreja, vai em evento luxuoso bajular Rodrigo Moreira, empresário investigado pela PF

Vereador ligado ao Furlan, Bruno Igreja, vai em evento luxuoso bajular Rodrigo Moreira, empresário investigado pela PF

Por Redação 

 

A noite de gala em Macapá, regada a brindes de espumante e sorrisos largos, serviu de cenário para um evento que, nos bastidores da política amapaense, foi interpretado como uma ostensiva demonstração de força e impunidade. Na última semana, o engenheiro civil Rodrigo Moreira inaugurou a nova sede da construtora GAMA Engenharia, em uma recepção que reuniu a nata do poder municipal para celebrar a expansão de um império construído sob o signo da polêmica. O evento ocorreu em um luxuoso edifício comercial da capital, marcando o retorno triunfal de Moreira ao convívio social e empresarial apenas um ano após ter sido preso pela Polícia Federal. O empresário é o principal alvo de investigações que apuram um esquema de propinas instalado no coração da Prefeitura de Macapá, o que não impediu que figuras do primeiro escalão do governo de Antônio Furlan (MDB) desfilassem pelo tapete vermelho da construtora como se nada tivesse acontecido.

O motivo de tamanha deferência por parte do poder público é um cálculo aritmético de muitos dígitos. A GAMA Engenharia não é apenas mais uma prestadora de serviços; ela é a detentora dos contratos mais vultosos da gestão Furlan, incluindo a construção do hospital municipal, uma obra de dimensões faraônicas orçada em R$ 69 milhões. A proximidade entre o fiscal e o fiscalizado ficou evidente na circulação livre de secretários e parlamentares pelos corredores ricamente iluminados da nova sede. A explicação para a presença maciça de aliados do prefeito reside no estreito laço de amizade que une Moreira ao próprio Furlan e ao secretário de Obras e Infraestrutura, Cássio Cruz. Para os críticos da gestão, o evento não foi apenas uma inauguração comercial, mas um "convescote" que escancarou a promiscuidade entre o dinheiro público e os interesses privados que hoje ditam o ritmo das obras na capital.

Entre os convidados mais entusiasmados estava o vereador Bruno Igreja, também do MDB e líder do governo na Câmara Municipal. Sem qualquer constrangimento pela investigação da Polícia Federal que ainda paira sobre o anfitrião, Igreja posou para fotografias ao lado de Rodrigo Moreira, exibindo uma postura solícita que simboliza a blindagem política de que goza o empresário. A imagem do líder do governo sorridente ao lado de um homem suspeito de comandar o pagamento de "jabaculês" a figurões da administração municipal circulou rapidamente pelos grupos de mensagens, gerando um mal-estar que parece não ter atingido as paredes climatizadas da GAMA Engenharia. A presença de Igreja no evento foi lida como um recado institucional: o apoio político à construtora permanece inabalável, independentemente do que as diligências federais venham a descobrir sobre o destino das verbas públicas.

A investigação que levou Moreira à prisão no ano passado detalhava um sofisticado esquema de desvio de recursos, onde medições de obras eram infladas para gerar o excedente que alimentava a corrupção. Naquela ocasião, a Polícia Federal apreendeu documentos e dispositivos eletrônicos que apontavam para uma rede de influência capaz de paralisar fiscalizações e acelerar pagamentos dentro da Secretaria de Obras. Mesmo diante de evidências tão contundentes, a GAMA Engenharia manteve seus contratos ativos e, agora, expande sua estrutura física com um luxo que contrasta com o atraso de diversas frentes de trabalho espalhadas pela cidade. A pompa da inauguração serviu para tentar soterrar, sob camadas de decoração cara e música ambiente, o odor de escândalo que as investigações tentam dissipar.

O que se viu em Macapá foi a celebração de um modelo de gestão onde a amizade pessoal parece valer mais do que a lisura dos processos licitatórios. Enquanto o hospital municipal segue como uma promessa de concreto e verbas milionárias, os laços entre Moreira, Furlan e seus apaniguados se estreitam em eventos sociais de alto padrão. A inauguração da sede da GAMA Engenharia foi, em última análise, o retrato fiel de um sistema de poder que se sente seguro o suficiente para ignorar o rigor da lei e a ética pública, brindando ao sucesso de um esquema que, para a Polícia Federal, está longe de ser motivo para festa. A sociedade amapaense, por sua vez, assiste a esse desfile de opulência com a dúvida latente sobre quantos milhões de reais, destinados à saúde e infraestrutura, foram transformados nos cristais e luzes que iluminaram a noite de glória de Rodrigo Moreira.