Hipocrisia: os amapaenses querem saber onde estava a indignação da ex-deputada Goreth quando, em 2 de janeiro de 2025, Furlan assinou o decreto promovendo a exoneração em massa de todos os ocupantes de cargos comissionados da prefeitura

Cupixa de Furlan, a Professora Goreth passa a atacar o Prefeito DaLua por sua atuação política de direito

Hipocrisia: os amapaenses querem saber onde estava a indignação da ex-deputada Goreth quando, em 2 de janeiro de 2025, Furlan assinou o decreto promovendo a exoneração em massa de todos os ocupantes de cargos comissionados da prefeitura

Por Redação 

 

A ex-deputada federal Professora Goreth (PDT-AP), que teve o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em julho de 2025, utilizou suas redes sociais na sexta-feira (17/04/2026) para atacar duramente o prefeito interino de Macapá, Pedro DaLua (União), após a exoneração de todos os diretores de escolas e creches municipais, alegando irresponsabilidade na gestão da educação pública. A reação veemente da ex-parlamentar, que ocorre em meio a um processo de reestruturação administrativa na Secretaria Municipal de Educação, gerou controvérsia no cenário político macapaense ao evidenciar um contraste seletivo em seu posicionamento crítico: Goreth, que agora condena o afastamento de dezenas de gestores, manteve-se em absoluto silêncio quando a gestão anterior, de Antônio Furlan (PDT), promoveu uma demissão em massa de mais de três mil servidores comissionados no início de 2025.

O estopim para a manifestação de Goreth foi a publicação no Diário Oficial que formalizou o afastamento dos diretores das unidades de ensino básico e infantil da capital. A medida foi justificada pela gestão de Pedro DaLua como um passo necessário para a reorganização da estrutura administrativa da pasta, que enfrenta gargalos críticos herdados da administração passada. Em reuniões recentes com representantes das caixas escolares, o prefeito interino pontuou a existência de pendências graves, como o déficit crônico de professores em sala de aula e o atraso sistemático no pagamento de aluguéis de prédios que abrigam unidades escolares. A estratégia de DaLua visa, segundo interlocutores da prefeitura, estancar a desorganização funcional e garantir que a nova equipe de gestão esteja alinhada às metas de recuperação da rede municipal de ensino.

Entretanto, o tom inflamado do vídeo gravado pela ex-deputada — no qual ela classifica a decisão como "irresponsável" — foi recebido por analistas políticos e setores da sociedade civil como uma tentativa de inflar a opinião pública contra o gestor interino, utilizando a educação como palanque. O que mais chama a atenção no episódio não é apenas a agressividade das palavras, mas a memória curta demonstrada pela congressista cassada. Em janeiro de 2025, Macapá viveu um dos momentos mais conturbados de sua história administrativa sob o comando de Antônio Furlan, atual prefeito afastado por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). Naquela ocasião, Furlan exonerou três mil trabalhadores de uma só vez, mergulhando a cidade em um clima de tensão e desamparo social. Naquele momento, Goreth não publicou vídeos, não proferiu condenações e não demonstrou a mesma solidariedade aos trabalhadores da educação ou da saúde que agora afirma defender.

A gestão de Furlan, marcada por investigações que apontam um esquema milionário de malversação de recursos públicos, peculato e corrupção, impôs aos servidores comissionados medidas severas sob o pretexto de crise financeira. O ex-prefeito chegou a suspender por seis meses o pagamento de férias e outros direitos constitucionais fundamentais, alegando falta de fundos em caixa. A contradição, contudo, saltava aos olhos da população: enquanto o funcionalismo sofria para quitar dívidas básicas e mensalidades escolares, a prefeitura desembolsava valores vultosos para eventos festivos. Somente com três atrações nacionais para o aniversário da cidade, o gasto superou os R$ 2 milhões, montante que seria suficiente para regularizar boa parte das pendências com os trabalhadores.

Além do calote nas férias, a administração Furlan deixou uma herança previdenciária temerária. Denúncias da época indicavam que, embora os valores fossem devidamente descontados dos contracheques dos servidores comissionados, a Prefeitura Municipal de Macapá não realizava o repasse obrigatório ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Essa prática deixou milhares de pais e mães de família em situação de extrema vulnerabilidade, com o risco real de terem benefícios como aposentadoria e auxílio-doença negados pela autarquia federal. Diante desse cenário de flagrante desrespeito aos direitos trabalhistas e sociais, a voz da Professora Goreth foi inexistente.

A discrepância entre o silêncio de outrora e o barulho de agora sugere que a indignação da ex-deputada possui um viés estritamente político, voltado a desgastar a imagem de quem tenta reorganizar o caos herdado. Ao tentar ridicularizar a gestão interina por uma troca de cargos de confiança necessária à governabilidade, Goreth ignora o fato de que a reestruturação da educação é um anseio de pais e mestres que conviviam com a precariedade de uma rede sucateada por escândalos. Enquanto o Prefeito Pedro DaLua tenta equacionar as contas e suprir a falta de profissionais, o debate público em Macapá se vê diante de um espelho que reflete as conveniências de quem, mesmo após a perda do mandato por irregularidades eleitorais, tenta ditar regras de moralidade administrativa que não aplicou aos seus aliados no passado recente. A população, que ainda sente os reflexos dos repasses previdenciários não realizados e das demissões em massa de 2025, assiste a esse embate com ceticismo, aguardando que a educação deixe de ser arma de arremesso político para voltar a ser prioridade de gestão.