Vídeo mostra Furlan como um serviçal de Waldez na luta para privatizar a Cea e ferrar com a conta de energia dos amapaenses

Por Redação 

 

A complexa teia política que envolve o setor energético no Amapá tornou-se o centro de um intenso debate sobre o custo de vida e a estabilidade econômica do estado. Atualmente, a manutenção das tarifas de energia elétrica da CEA Equatorial fora do topo do ranking das mais caras do Brasil é atribuída a uma articulação política estratégica em Brasília. Este esforço conjunto envolve o governador Clécio Luiz (Solidariedade) e figuras de peso no cenário nacional, como o senador Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Congresso Nacional, e o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo federal.

A atuação desse grupo tem focado em barrar novos reajustes que poderiam sobrecarregar o orçamento das famílias amapaenses, funcionando como um dique de contenção contra a pressão inflacionária do setor. No entanto, o cenário atual é reflexo de decisões tomadas anos atrás, que alteraram profundamente a estrutura de fornecimento de energia no estado.

O processo que culminou na configuração atual remonta a dezembro de 2016, quando o então governador Waldez Góes deu passos decisivos para a privatização da Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA). Naquela época, a indicação do deputado Antônio Furlan — atual prefeito de Macapá — para a liderança do governo na Assembleia Legislativa do Amapá (Alap) foi um movimento fundamental.

Antônio Furlan assumiu o posto deixado por Ericláudio Alencar e tornou-se o principal articulador da pauta governista no parlamento. Como líder, ele foi o responsável por acelerar os debates e convencer seus pares sobre a necessidade de vender o controle da estatal, defendendo que a privatização era um caminho irreversível e necessário para evitar que o estado ficasse isolado e com o ônus financeiro de uma empresa deficitária.

Durante as sessões técnicas e debates conduzidos por Furlan na Alap, o argumento central era de que a transferência para a iniciativa privada traria eficiência e benefícios sociais imediatos, como a ampliação da tarifa social para famílias de baixa renda. O entusiasmo do líder na época permitiu que Waldez Góes tivesse a sustentação política necessária para transitar com desenvoltura nos ministérios e órgãos reguladores na capital federal, consolidando o plano de desestatização.

Contudo, o que era apresentado como uma solução definitiva para os problemas energéticos do Amapá hoje é visto sob uma ótica crítica. Analistas e críticos do processo apontam que a forma como a privatização foi conduzida fragilizou a soberania energética local, deixando o estado vulnerável a crises de fornecimento e a uma estrutura tarifária que, sem a constante intervenção política atual, poderia colocar o Amapá no posto de energia mais cara do país, contrariando as promessas de alívio econômico feitas no passado.

 

Amapá mantém tarifas de energia abaixo do topo nacional apesar da pressão de alta  

 

Segue uma análise comparativa das tarifas de energia elétrica na região Norte. O gráfico revela um cenário de contrastes acentuados, onde o Amapá ocupa uma posição intermediária, mas sob forte pressão de alta. Enquanto estados vizinhos como o Pará enfrentam o maior custo do país, o Amapá tem conseguido manter um valor abaixo do topo da lista graças a intervenções políticas recentes que adiaram reajustes previstos para dezembro de 2025.

Abaixo, o portal REGIÃO NORTE NOTÍCIAS apresenta um comparativo das tarifas residenciais (tarifas homologadas pela ANEEL para consumidores de baixa tensão) baseadas nos dados vigentes entre 2024 e o final de 2025:

Pontos de destaque da análise
O "Fator de Adiamento" no Amapá: Em dezembro de 2025, o Amapá evitou, por ora, um reajuste que poderia chegar a 32%. A ANEEL retirou o item da pauta após articulação dos senadores Davi Alcolumbre e Randolfe Rodrigues. Se esse aumento tivesse sido aplicado integralmente, o Amapá ultrapassaria o Amazonas e se aproximaria do Pará no topo do ranking.
A discrepância com o Pará: O Pará, embora seja um grande produtor de energia (Usina de Belo Monte), possui a tarifa mais alta do Brasil ($R$ 0,96$ por kWh). Isso ocorre devido à vasta extensão territorial e ao alto índice de perdas técnicas e não técnicas (furtos), fatores que também pressionam a tarifa amapaense.
A vulnerabilidade de Roraima: Apesar de possuir o valor nominal mais baixo, o estado de Roraima depende de subsídios federais e de um sistema isolado (muitas vezes térmico), o que torna sua estabilidade tarifária dependente de políticas nacionais de custeio (Conta de Desenvolvimento Energético - CDE).
Impacto dos impostos: O valor final pago pelo consumidor no Amapá sofre influência direta do ICMS. Para 2025, o estado mantém alíquotas que variam conforme o consumo (ex: 12% para até 200 kWh e 18% acima disso), o que ajuda a mitigar o custo para as camadas mais pobres em comparação a estados com alíquotas fixas mais altas.
Síntese do Cenário
O Amapá encontra-se em um "equilíbrio frágil". A tarifa de R$ 0,808/kWh é significativamente menor que a do Pará, mas a tendência técnica (sem a intervenção política) seria de uma escalada rápida. A suspensão dos reajustes atuais é uma medida de curto prazo; o desafio estrutural permanece na redução das perdas na rede e no custo de operação da concessão privatizada.