Corrupção de Antônio Furlan pode fazer Júnior Mourão migrar para base do governador Clécio Luís
Registros de proximidade ganham novo peso. Enquanto Furlan silencia sobre as denúncias de corrupção no Hospital Municipal, aliados como o prefeito Júnior Mourão (E) recalculam rotas diante da pressão da Polícia Federal e Justiça
Por Redação
O cenário político no Amapá sofreu um revés significativo nesta semana com a sinalização de desembarque do prefeito de Cutias, Juscelino Rabelo Mourão Júnior, o Júnior Mourão (PL), do grupo político liderado pelo ex-prefeito de Macapá, Antônio Furlan (PSD). Motivado pela instabilidade jurídica que cerca Furlan — que renunciou ao cargo após ser afastado por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) —, Mourão deve avaliar uma futura migração para a base de apoio do governador Clécio Luís (União Brasil). O movimento, consolidado nos bastidores do Palácio Setentrião, redesenha as alianças no município localizado a pouco mais de 140 quilômetros da capital, evidenciando uma busca por sobrevivência política e governabilidade em um tabuleiro marcado pela incerteza eleitoral.
A decisão de Júnior Mourão, caso se concretize, não será um fato isolado, mas o sintoma de uma erosão silenciosa no bloco que outrora gravitava em torno de Furlan. Para o prefeito de Cutias, a permanência em uma nau que enfrenta tempestades judiciais tornou-se um risco calculado que ele não parece mais disposto a correr. O afastamento de Furlan, determinado pelo ministro Flávio Dino, e a subsequente renúncia estratégica para tentar viabilizar uma candidatura ao governo do Estado, criaram um vácuo de poder e uma percepção de fragilidade entre seus aliados mais próximos. O temor da inelegibilidade, que paira como uma sombra sobre o ex-prefeito da capital, foi o catalisador necessário para que Mourão busque um porto mais seguro.
Nesse contexto, a figura de Clécio Luís surge como o destino natural para os políticos que buscam consistência administrativa e musculatura política. O governador tem demonstrado habilidade em aglutinar lideranças do interior, oferecendo uma gestão que, aos olhos de prefeitos como Mourão, apresenta uma previsibilidade que o grupo de Furlan perdeu ao longo dos últimos meses. A transição de Mourão, saindo de um campo alinhado ao bolsonarismo e à oposição estadual para o centro do governo, revela a pragmática do poder local: o apoio do Palácio do Setentrião é um ativo valioso demais para ser ignorado, especialmente quando o antigo líder se vê enredado em batalhas nos tribunais superiores.
A reportagem do portal REGIÃO NORTE NOTÍCIAS apurou que as conversas para a formalização dessa nova aliança avançam rapidamente. Interlocutores próximos ao prefeito de Cutias afirmam que a prioridade agora é garantir recursos e parcerias que beneficiem o município, algo que se torna mais viável sob o guarda-chuva da gestão estadual. Enquanto Furlan tenta se equilibrar entre a defesa jurídica e o projeto de 2026, Clécio Luís amplia sua base, isolando ainda mais o adversário e consolidando um arco de alianças que se estende por todo o Amapá.
Para Mourão, o abandono do barco não é visto como traição, mas como um realinhamento necessário diante de um cenário onde a segurança jurídica vale mais do que a lealdade ideológica. O mapa político do estado, antes dividido entre forças emergentes e tradicionais, volta a pender para quem detém a caneta e a estabilidade institucional.



