Na Diário FM, Acácio comprova preparo e experiência política para representar o Amapá no Senado
Por Redação
A decisão do deputado federal Acácio Favacho (MDB) de abrir mão de tentar um terceiro mandato na Câmara para disputar uma cadeira no Senado pelo Amapá expõe uma tentativa de reorganização das forças políticas locais diante de gargalos históricos que há décadas travam o desenvolvimento do estado. Em entrevista concedida aos estúdios do Sistema Diário de Comunicação, em Macapá, Favacho justificou a mudança como o encerramento de um ciclo legislativo e o início de uma articulação mais incisiva em Brasília, em um momento em que a população amapaense convive com índices crônicos de déficit habitacional, isolamento logístico e disputas sobre o uso de seus recursos naturais.

A movimentação do parlamentar ocorre no âmbito de uma série de sabatinas eleitorais promovidas pela emissora até o dia 14 de setembro. No centro do debate, as promessas eleitorais esbarram diretamente na realidade de quem vive nas pontes de madeira e áreas de ressaca da capital e do interior. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Fundação João Pinheiro, o déficit habitacional no Amapá ultrapassa 30 mil moradias, afetando de forma desproporcional famílias com renda de até três salários mínimos. Para tentar responder a essa demanda, Favacho defendeu a criação de subsídios públicos que reduzam as parcelas de financiamento da casa própria e a descentralização dos programas habitacionais para além do eixo Macapá-Santana, alcançando municípios como Laranjal do Jari e Oiapoque.
A vulnerabilidade social no estado também se reflete no acesso aos serviços de saúde. Em comunidades ribeirinhas e distritos rurais, a espera por uma consulta com especialista costuma exigir viagens de barco de vários dias ou deslocamentos terrestres penosos. Diante desse quadro, a proposta apresentada pelo candidato aposta na expansão de ferramentas de telemedicina custeadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), capazes de integrar prontuários eletrônicos, resultados de exames e emissão de receitas digitais. Médicos e gestores em saúde pública ressaltam, contudo, que a eficácia da saúde digital na Amazônia depende de solucionar previamente outro entrave regional: a instabilidade crônica das redes de internet e da infraestrutura elétrica no interior.
Outro ponto nevrálgico do cotidiano local abordado na entrevista é a situação da BR-156. Aberta ainda em meados do século 20 para ligar o extremo sul ao norte do estado, a rodovia acumula mais de 90 anos de projetos sem jamais ter sido totalmente asfaltada. Os atoleiros que se formam nos períodos de chuva intensa — o chamado "inverno amazônico" — encarecem o frete, atrasam o socorro médico e isolam comunidades inteiras. Favacho defendeu que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) adote metodologias de engenharia e materiais adaptados ao solo e ao regime hídrico da região, sustentando que a obra só avançará se houver coordenação política contínua em Brasília para blindar os repasses orçamentários de sucessivas paralisações.
A agenda do candidato também tocou no debate sobre a exploração de petróleo e gás na chamada Margem Equatorial, na costa do Amapá. A possibilidade de perfuração divide ambientalistas, preocupados com a proteção da costa e do bioma marinho, e setores produtivos que veem na atividade uma chance de arrecadação bilionária via royalties. O deputado sustentou a realização de pesquisas e perfurações exploratórias para mensurar o potencial das reservas, condicionando o apoio à garantia formal de que parte significativa dos recursos seja revertida diretamente para o fundo estadual e projetos voltados para a formação profissional dos jovens e melhoramentos na qualidade de vida da população.
Na pauta ambiental e urbana, Favacho defendeu uma política integrada de gestão de resíduos sólidos para os 16 municípios amapaenses, incentivando tecnologias que transformem o lixo em insumo energético e matéria-prima para cooperativas de reciclagem. O parlamentar ainda respondeu a questionamentos de lideranças sindicais e ouvintes do interior sobre o fortalecimento da Área de Livre Comércio de Macapá e Santana (ALCMS), os direitos de servidores amparados pela PEC 47 — referente à transposição de quadros do antigo território federal para a União — e ações de segurança voltadas à juventude periférica. Ao ser indagado sobre alianças no pleito para o Palácio do Setentrião, Favacho reforçou que manterá postura de independência em relação à disputa pelo governo estadual, concentrando sua campanha na corrida ao Senado.

