3 milhões de reais na conta da empresa de Rayssa Furlan, segundo a PF,deverá ser o estopim para arruinar sua candidatura ao senado
Raíssa Furlan deverá ficar de fora da disputa ao senado
Por Redação
O impacto da renúncia de Antônio Furlan (PSD) ao cargo de prefeito de Macapá, feito logo após o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmar seu afastamento imediato, desencadeou uma reação que abalou o projeto político da família. Assim como o ex-prefeito, sua esposa, a médica Rayssa Furlan (Podemos), também era peça central desse plano. Com a queda do marido, ela se viu obrigada a recuar e desistiu da pré-candidatura ao Senado Federal, pressionada por investigações que apontam movimentações financeiras atípicas superiores a R$ 3 milhões em empresas ligadas ao casal.
O desgaste do grupo começou a se intensificar com a segunda fase da Operação Paroxismo. Autorizada pelo ministro Flávio Dino, a ação colocou a Polícia Federal atrás de um suposto esquema de corrupção envolvendo a construção do Hospital Municipal de Macapá. O que começou como apuração de licitações e contratos da Secretaria Municipal de Saúde acabou avançando para a vida pessoal dos Furlan, revelando transações bancárias que, segundo os investigadores, fugiam da legalidade.
A decisão da Suprema Corte teve efeito imediato. Sem margem para permanecer no cargo, Furlan apresentou sua renúncia em 5 de março. Aliados tentam interpretar o ato como uma tentativa de proteger o grupo político, enquanto adversários veem o gesto como sinal de fragilidade jurídica.
Enquanto o ex-prefeito deixava o comando da cidade, Rayssa enfrentava seu próprio desgaste. Apontada como principal aposta eleitoral do grupo neste ano, ela passou a ocupar lugar central nos relatórios da Polícia Federal. O foco está na empresa RCFS Médicos LTDA, da qual é acionista e sócia majoritária.
Segundo os documentos que embasaram a decisão do STF, a empresa recebeu depósitos fracionados que somam milhões de reais, levantando suspeita de “smurfing”, técnica em que grandes valores são divididos em pequenas quantias para escapar dos mecanismos de controle do Banco Central.
A investigação aponta ainda que o dinheiro circulava não só pela RCFS, mas também pelo Instituto de Medicina do Coração LTDA, ligado a Antônio Furlan. Para a PF, o fluxo recorrente de valores operado por pessoas próximas ao casal sugere enriquecimento ilícito a partir de desvios de recursos públicos.
As anotações e comprovantes apreendidos nas diligências reforçaram a pressão sobre Rayssa e tornaram sua pré-candidatura ao Senado politicamente insustentável. O silêncio mantido por ela e sua equipe desde o início da operação, embora legítimo, acabou afetando ainda mais sua imagem diante de um eleitorado que a via como continuidade da popularidade do marido.
Nos bastidores da política amapaense, a desistência é tratada como uma tentativa de reduzir a exposição enquanto a defesa tenta contestar as evidências apresentadas pela PF. Mesmo assim, o impacto parece profundo. O projeto que buscava ampliar a influência da família em Brasília se transformou em uma disputa para evitar condenações criminais.
A suspeita de depósitos fracionados atinge diretamente o discurso de transparência da gestão Furlan. A crise que tomou conta da Prefeitura de Macapá — e que também envolve o vice-prefeito, Mário Neto — traz incerteza sobre obras e serviços e reflete a gravidade de um escândalo que se estende do gabinete municipal aos relatórios policiais.
A queda do casal Furlan mostra como o poder pode ruir quando confrontado por investigações complexas. Para os agentes federais, o padrão encontrado nas contas da RCFS e do Instituto de Medicina do Coração indica que a estrutura familiar pode ter sido usada para receber propinas ou recursos desviados.
Enquanto Macapá tenta se ajustar à mudança repentina no comando, Rayssa permanece recolhida, fora da disputa pelo Senado e diante de um processo judicial que deve se prolongar. A manhã de quinta-feira não marcou apenas o fim de um governo, mas também o encerramento de uma pré-candidatura que não chegou às urnas, sob o peso dos três milhões de reais que a Polícia Federal agora tenta rastrear.



