Cara de pau: afastado por corrupção na obra do Hospital Municipal, Furlan anda por Macapá como se nada tivesse acontecido

Cara de pau: afastado por corrupção na obra do Hospital Municipal, Furlan anda por Macapá como se nada tivesse acontecido

Por Redação 

O ex-prefeito de Macapá, Antônio Furlan (PSD), completou 20 dias de um silêncio que repercutiu fortemente nos bastidores da política local. Ele não se pronunciou sobre as acusações feitas pela Polícia Federal, que apura um possível esquema de “colarinho branco” dentro da Prefeitura de Macapá envolvendo peculato, formação de quadrilha e fraude em licitações. No centro do caso está o sumiço de quase R$ 10 milhões dos R$ 69 milhões destinados à construção do Hospital Municipal de Macapá, uma das principais promessas de sua gestão. O silêncio de Furlan, que até pouco tempo mantinha presença constante nas redes sociais, ocorre em um momento crítico, logo após sua renúncia ao cargo. A saída, motivada pelo receio de ficar inelegível e pelo afastamento imposto pelo Supremo Tribunal Federal (STF), aumentou ainda mais a pressão sobre ele.

A falta de explicações agrava a crise de credibilidade de quem já foi considerado o principal nome da oposição ao governo estadual. Relatórios da Polícia Federal mostram uma estrutura complexa de uso indevido de recursos públicos, com contratos suspeitos e desvios que já passam de R$ 9 milhões dentro do valor total investigado. O hospital, que deveria atender a população, aparece nas apurações como símbolo de má gestão e possível fonte de lucro para um esquema criminoso instalado na administração municipal.

Esse silêncio impacta diretamente a política macapaense. O grupo político de Furlan tenta conter a fuga de aliados que buscam se afastar da crise. As denúncias deixam de ser apenas disputa eleitoral e passam ao campo criminal, já que envolvem verbas destinadas à saúde pública. Especialistas ouvidos pelo portal REGIÃO NORTE NOTÍCIAS avaliam que a defesa do ex-prefeito aposta no “tempo jurídico” e evita qualquer exposição que possa gerar novas medidas cautelares ou agravamentos no processo.

A obra do hospital segue paralisada, e o tapume ao redor foi coberto por cartazes que acusam Furlan de ter desviado dinheiro da saúde de uma cidade com mais de 550 mil habitantes, muitos vivendo em vulnerabilidade. Furlan continua sem se manifestar, o que causa desconforto entre os macapaenses que esperam respostas.

Embora a renúncia tenha sido apresentada como uma estratégia política, adversários veem o gesto como tentativa de preservar o foro ou manter margem de atuação. Mas o avanço das investigações sobre o dinheiro das obras coloca em dúvida o futuro político-eleitoral do ex-prefeito. Enquanto isso, a ausência de explicações alimenta a indignação da população, que ainda espera pelo atendimento prometido, enquanto o prédio inacabado segue como prova do descaso com a saúde pública em Macapá.