Novas eleições em Pedra Branca: MPE julga procedente a ação de irmão Wilson e cassa o mandato do Prefeito Marcelo e sua vice
Por Redação
Pedra Branca do Amapari, importante município da região de mineração do Amapá, vive mais uma fase crítica em sua história política e administrativa, marcada por denúncias graves, instabilidade financeira e um futuro incerto com possível nova eleição suplementar.

O município enfrenta uma crise profunda. Servidores municipais estão com salários atrasados desde o início de 2025, incluindo profissionais da segurança pública, da limpeza urbana e do setor operacional. A insatisfação popular cresce diariamente, com manifestações frequentes nas ruas contra a gestão do prefeito Marcelo Pantoja, que acumula denúncias e graves acusações.

Politicamente, a cidade carrega um histórico de cassações. A ex-prefeita Socorro Pelaes, líder do grupo político dominante desde 2011, já foi cassada em 2012 por inelegibilidade. Naquele ano, quem assumiu interinamente a prefeitura foi Willson Filho, conhecido como Irmão Wilson, que também ficou em segundo lugar nas últimas eleições municipais de 2024.

Após a cassação, Socorro Pelaes tentou manter o controle político da cidade elegendo sua sucessora Bete Pelaes em 2016 e reeleita em 2020. Em 2024, o grupo indicou Marcelo Pantoja, que venceu as eleições municipais em um pleito hoje fortemente contestado.
O Ministério Público Eleitoral do Amapá ajuizou ação contra a chapa do prefeito Marcelo Pantoja, sob o número 0600409-61.2024.6.03.0011, apontando abuso do poder econômico, compra de votos e fraude no sufrágio eleitoral. O processo destaca provas contundentes de captação ilícita de votos e uso indevido da máquina pública para garantir a vitória eleitoral.

A denúncia foi apresentada pela coligação do ex-prefeito e ex-presidente da Câmara Wilson Filho, que ficou em segundo lugar no pleito. O Ministério Público Eleitoral reforçou a gravidade da situação, recomendando a cassação do diploma do prefeito e do vereador acusado, com suspensão dos direitos políticos por 8 anos.
A crise política é agravada pela situação financeira da prefeitura, que já não paga os servidores e enfrenta uma série de ações civis públicas por descumprimento da lei e má gestão, além da deterioração dos serviços públicos essenciais. As manifestações populares pedem o afastamento imediato do prefeito Marcelo Pantoja e a realização de novas eleições.
Caso a Justiça Eleitoral confirme a cassação, o município poderá passar por uma nova eleição suplementar, com Wilson Filho despontando como o principal candidato para assumir o comando da cidade e restaurar a ordem administrativa e política.
História se repete em Pedra Branca do Amapari
O município de Pedra Branca do Amapari vive um verdadeiro déjà-vu político. Em 2008, o então prefeito Zezinho, reeleito com mais de 2 mil votos, teve seu mandato cassado por compra de votos e abuso do poder econômico, junto à vereadora Zuleide. A decisão culminou, em 2011, com a posse da ex-prefeita Socorro Pelaes, que havia ficado em segundo lugar com pouco mais de 700 votos. Na época, a Justiça reconheceu as irregularidades e afastou o prefeito eleito, dando à segunda colocada o direito de assumir.
Hoje, 16 anos depois, a história se repete quase nos mesmos moldes. O atual prefeito Marcelo Pantoja e sua vice são alvos do mesmo tipo de acusação: compra de votos e abuso de poder econômico. O Ministério Público Eleitoral, no processo nº 0600409-61.2024.6.03.0011, pediu a cassação dos mandatos, além da declaração de inelegibilidade por 8 anos, também envolvendo o vereador Daniel. A possível queda do grupo político ligado à família Pelaes pode levar novamente o segundo colocado, Irmão Wilson, a disputar novas eleições suplementares e escrever um novo capítulo na história política do município.
Pedra Branca do Amapari está em um momento decisivo: a escolha entre a continuidade da crise e a esperança de um futuro com gestão transparente, compromisso social e desenvolvimento.



