Foi aprovado o convite na câmara municipal à empresário que denunciou esquema de propina do secretário de obras de Furlan

Foi aprovado o convite na câmara municipal à empresário que denunciou esquema de propina do secretário de obras de Furlan

Por Redação 

 

Pela primeira vez, desde a posse para exercício do primeiro mandato como prefeito de Macapá (2021-2024), Antônio Furlan, reeleito em outubro passado pelo MDB, estremeceu na cadeira de seu gabinete, no Palácio Laurindo Banha, sede da Prefeitura de Macapá. Foi no decorrer da votação do requerimento N.º 541/25. Enquanto a sessão seguia tumultuada, com plenário e galerias lotados, o gestor não largou o celular, mantendo-se em contato com sua base no legislativo municipal. A ordem expressa por ele era barrar a aprovação do documento.

Não obteve êxito.

Proposto pelos vereadores Joselyo E Mais Saude (PP), Ruzivan Pontes (Republicanos) e Banha Lobato (União), o requerimento trata da convocação do empresário Claudiano Monteiro de Oliveira, proprietário da empresa CM de Oliveira CIA Ltda, que, em depoimento por videoconferência ao juiz substituto Mateus Pavão no dia 14 de março, ratificou as denúncias de peculato, malversação e corrupção contra o titular da Secretaria Municipal de Obras (SEMOB), Cassio Cleiden Rabelo Cruz, homem de extrema confiança do prefeito macapaense.

Claudiano de Oliveira deverá comparecer na sessão do dia 20 de março, a partir das nove da manhã, onde deverá esclarecer as denúncias que vem fazendo desde outubro de 2023 sobre supostos esquemas de corrupção controlados por Cássio Cruz, membro destacado do primeiro escalão da PMM. O empresário já se colocou à disposição, inclusive comunicando ao presidente da Casa, vereador Pedro DaLua (União), de que está reunindo documentos que, segundo ele, devem provar as hipotéticas falcatruas nos porões da SEMOB.

A votação foi duríssima, resultando em onze votos a favor da convocação de Claudiano de Oliveira e dez votos contra. Para surpresa de muitos que estiveram presentes na sessão de terça-feira, 18 de março, Antônio Furlan ainda conta com uma base muito forte na Câmara de Macapá, decorrência de seu poder de persuasão nos bastidores do legislativo. Dizem opositores, trata-se de apoio "comprado" com cargos e outras vantagens.

Ainda assim, o prefeito não conseguiu bloquear o avanço do rolo compressor comandado por Joselyo, Ruzivan e Banha Lobato. A apresentação do requerimento começou em meio a provocações da bancada governista, em contato permanente com Antônio Furlan. O objetivo era conturbar o ambiente e impedir o início da votação do requerimento.

A troca de farpas alcançou níveis de lava vulcânica, com acusações mútuas entre oposicionistas e governistas que, a todo custo, tentavam convencer a mesa diretora a retirar de pauta o "julgamento do mérito". Vereadores e vereadoras governistas lotaram as galerias com apoiadores do prefeito, uma estratégia para demonstração de força política que não deu muito certo.