Engodo: Promessas de casas populares para Santana, de Acácio Favacho, não passam de promessas eleitoreiras

Engodo: Promessas de casas populares para Santana, de Acácio Favacho, não passam de promessas eleitoreiras

Por Redação 

 

O deputado federal Acácio Favacho (MDB-AP) realizou uma série de anúncios em Santana nas últimas semanas, prometendo investimentos vultosos em habitação e energia solar, visando atrair o eleitorado santanense para o pleito deste ano. Em um discurso contundente na Câmara de Vereadores, o parlamentar detalhou a construção de quase 500 casas populares e a implementação de tecnologia fotovoltaica para famílias de baixa renda. No entanto, a ausência de indícios físicos das áreas destinadas aos projetos e a súbita aparição do político na cidade, onde raramente era visto antes do período eleitoral, levantaram questionamentos sobre a viabilidade das promessas e a real intenção por trás das articulações ministeriais citadas.

A incursão de Favacho na segunda maior cidade do Amapá marca uma mudança de postura notável. Conhecido pela atuação concentrada em Macapá, o emedebista passou a frequentar as ruas e os bastidores políticos de Santana com uma intensidade que destoa de seu histórico nos últimos anos. Diante de uma galeria ocupada por cidadãos que oscilavam entre a esperança e o ceticismo, o deputado apresentou o projeto de sistemas de geração de energia solar fotovoltaica. Segundo ele, o modelo, já articulado para a capital, seria replicado para reduzir o custo de vida das famílias carentes santanenses, amenizando o peso das tarifas de luz no orçamento doméstico. Contudo, apesar do discurso de que o plano já estaria em fase avançada de articulação, nenhuma área física para a instalação dos painéis ou central de distribuição foi identificada por levantamentos posteriores.

O ponto de maior tensão nas declarações do parlamentar refere-se ao setor habitacional. No plenário da Câmara, Favacho anunciou ter agilizado, junto ao Ministério das Cidades, a garantia de recursos para a construção do Conjunto Habitacional Júlio Cezar Braga. O empreendimento, orçado em aproximadamente R$ 90 milhões, prevê 496 unidades habitacionais divididas em três etapas de execução. Segundo o deputado, o trabalho de limpeza da área no Igarapé da Fortaleza já teria começado e o início das fundações ocorreria logo após o cessar do período chuvoso. No entanto, diligências realizadas na região do Igarapé da Fortaleza não encontraram qualquer movimentação de máquinas ou indício de terreno preparado para tal magnitude de engenharia, confrontando diretamente a narrativa de que as obras seriam iniciadas ainda neste semestre.

O hiato entre as palavras proferidas na tribuna e a realidade geográfica da cidade alimenta o debate sobre o uso de "promessas de campanha" como ferramenta de mobilização eleitoral. A perplexidade da plateia na Câmara reflete um histórico de projetos que, embora anunciados com pompa em anos anteriores, acabam por não sair do papel ou se tornarem registros de promessas esquecidas após a apuração das urnas. A falta de transparência sobre as matrículas dos terrenos e a ausência de licenciamentos ambientais públicos para intervenções em áreas sensíveis, como é o caso de boa parte do Igarapé da Fortaleza, tornam o cronograma de Favacho juridicamente frágil aos olhos de técnicos e demais especialistas em construção civil e meio ambiente.

Historicamente, a população de Santana tem sido alvo de anúncios sazonais que se intensificam nos meses que precedem as eleições. Críticos da atuação do deputado apontam que a estratégia de prometer obras de impacto serve como uma tentativa de compensar a ausência de uma presença legislativa constante que trouxesse benefícios estruturais perenes ao município ao longo do mandato. A tática de utilizar o prestígio em Brasília para sugerir uma influência direta na liberação de recursos ministeriais é uma ferramenta política comum, mas que, neste caso, esbarra na falta de materialidade, e, principalmente, credibilidade. Sem um canteiro de obras visível, o investimento de R$ 90 milhões permanece restrito ao campo das ideias e dos discursos inflamados.

Além da habitação, a promessa da energia solar flutua no campo da abstração. Projetos dessa natureza exigem estudos técnicos de viabilidade, parcerias com concessionárias e uma logística de instalação complexa que ainda não foi apresentada de forma documental aos órgãos de fiscalização municipal. Sem o "chão" para construir e sem a base técnica para a energia, os anúncios de Favacho parecem flutuar em um vácuo administrativo que só ganha corpo nos microfones das casas legislativas. A ausência de um local definido para a usina fotovoltaica gera dúvidas sobre se o projeto é uma política pública viável ou apenas uma peça de retórica para seduzir o eleitor de baixa renda, o mais afetado pela inflação energética.

Enquanto o parlamentar brada por agilidade e recursos, a realidade cotidiana dos santanenses permanece marcada pela carência habitacional e pelo custo elevado de vida. O ceticismo de parte dos eleitores traduz o descrédito que se abateu sobre figuras políticas que ressurgem apenas em períodos estratégicos. A questão central que permanece sem resposta é por que o interesse súbito pela cidade só se manifesta sob a luz do calendário eleitoral e por que, após tanto tempo de mandato, as soluções apresentadas carecem de localização geográfica comprovada. Sem a materialização das obras prometidas, as declarações de Acácio Favacho correm o risco de serem registradas apenas como mais um capítulo de promessas não cumpridas na história política de Santana.