A farsa da Forte FM: quando a rádio educativa virou a boca de ferro da propaganda de Furlan

A farsa da Forte FM: quando a rádio educativa virou a boca de ferro da propaganda de Furlan

Por Redação 

 

O Ministério das Comunicações bateu o martelo. A Fundação Cultural e Assistencial Água Viva, razão social da famigerada Forte FM — 99.9 MHz, Canal 260 (FM Educativa) — perdeu a concessão para operar em Macapá. E não foi à toa. A rádio, que deveria ensinar, informar, educar, virou caixa de som de um projeto político rasteiro.

O que era para ser espaço de aulas, debates e conferências virou curral eletrônico do prefeito Antônio Furlan. No lugar de educação, um festival de fake news. No lugar de pluralidade, bajulação barata. A frequência pública foi sequestrada e transformada em trincheira contra adversários e palanque para o prefeito.

E quem pagou a conta? A sociedade, que recebeu no ouvido não conhecimento, mas desinformação.

O crime contra o espírito público

A decisão do Ministério das Comunicações não deixa margem de dúvida: cassação da outorga. Base legal? O artigo 63, alínea “f”, e o artigo 64, alínea “b” do Código Brasileiro de Telecomunicações (Lei 4.117/1962). Reincidência em infrações, descumprimento grave, uso criminoso de um bem público.

Uma nota técnica anexada ao processo é cirúrgica: os programas Forte Notícias e Fala Comunidade, transmitidos diariamente, não eram jornalismo — eram hinos de louvor ao prefeito. Exaltações pessoais, autopromoção, ataques gratuitos a opositores. O apresentador chegou ao ridículo de dizer no ar:

“Tem político que se esconde do povo. Ele ganha as eleições, se esconde. Mas ele (Furlan), não. Ele peita os caras, ele vai para cima, corre para dentro...”

Ou seja: no rádio que deveria formar cidadãos, vendeu-se a imagem messiânica de um prefeito “corajoso”, como se a fiscalização de obras fosse ato heroico e não obrigação mínima de um gestor.

A rádio da mentira

A grade era um espelho da fraude. Músicas, cultos evangélicos, programas em parceria com faculdade privada... tudo, menos educação. O Ministério foi claro: nada disso se enquadra como programação educativa.

Na prática, a emissora servia para blindar Furlan e atacar adversários — entre eles o senador Davi Alcolumbre e o governador Clécio Luís. Não era rádio comunitária, era artilharia midiática. Uma concessão pública usada como propriedade privada, como se a frequência fosse brinquedo de poder.

O recado do desligamento

A cassação da Forte FM, controlada pelo ex-deputado federal Valdenor Guedes, é mais que uma medida administrativa. É uma bofetada moral. É um aviso: concessão pública não é curral eleitoral, não é arma de propaganda, não é fábrica de fake news.

O Ministério deixou explícito: houve reincidência, houve desvio de finalidade, houve abuso. A frequência educativa foi encerrada pela política miúda. E, finalmente, o microfone da fraude foi desligado.

A conta chegou

A decisão fecha um ciclo vergonhoso e devolve o canal à sua verdadeira função. Em tempos de polarização e guerra de narrativas, é um recado aos oportunistas: o espaço público não é seu quintal. Quem usa concessão como palanque paga caro.

E a Forte FM pagou. Pagou com o corte do sinal. Pagou com o silêncio no dial.

Porque, no fim, nada é mais pedagógico do que o desligamento da voz da mentira.